Festival Ouropretano de Bandas

agosto 26, 2009

Em sua oitava edição, o evento realizado nos dias 15, 16 e 23 de agosto atraiu para a praça Tiradentes moradores e turistas, que se encantaram com a produção e a tradição musical de Ouro Preto e de outros municípios mineiros. Nesta entrevista, a musicóloga do Museu da Inconfidência, Mary Angela Biason, faz um balanço do Festival promovido pela instituição.

Mary Angela Biason

 – Houve alguma modificação no formato do Festival Ouropretano de Bandas ao longo de seus oito anos de existência?

Desde que o Festival iniciou, em 2002, o formato foi aprimorado até chegar ao atual, com desfile e apresentação de três bandas por dia. Isso valoriza as bandas que podem apresentar de cinco a sete músicas de seu repertório e explorar as qualidades do conjunto e as habilidades dos solistas. Dessa maneira, o Festival individualiza a banda e mostra seu valor, o que não acontece quando juntamos 10, 20, 30 bandas. Todo ano encerramos com uma banda ouropretana executando a valsa “Saudades de Ouro Preto”, eleita a música madrinha do Festival. O evento nos lembra de que as bandas são formadas por pessoas comuns, preocupadas com sua família e seu trabalho, mas que se encontram com amigos para juntos cultivar a arte da música e manter, com orgulho, a história e o esplendor da sua corporação.

– O alteamento da praça Tiradentes e a iluminação externa do Museu da Inconfidência favoreceram a estrutura do evento?

A regularização do calçamento ajudou muito na estabilidade das estantes e cadeiras para músicos e platéia. O fato de não haver mais carros alivia o conflito que vivíamos antigamente. A iluminação do Museu clareou a praça. Ainda assim, instalamos quatro holofotes na sacada de uma das casas do lado esquerdo do Inconfidência para as apresentações ocorridas durante a noite. Essa ação fez com que o conjunto banda-platéia se deslocasse para a lateral da praça. Nas apresentações ocorridas durante a tarde, a platéia pôde apreciar as bandas com o Museu ao fundo.

– Como o tema proposto para essa edição foi abordado pelas bandas?

Com o intuito de explorar seus acervos e valorizar o repertório produzido por seus integrantes, todo ano o Festival propõe um tema. Em princípio, ele valoriza o “dobrado”, gênero bandístico por excelência que é apresentado por todas as participantes em desfile pela Praça Tiradentes na abertura e no fechamento do evento. Nesta edição, além de seu repertório habitual, pedimos a execução de machas compostas para os carnavais, já que muitos músicos participam desses eventos. Duas bandas apresentaram composições próprias: a Bandas Euterpe Cachoeirense tocou “Marcha do Bloco de Cima”, de autoria de Cristiano Miguel Tavares, atual baterista da banda, e a Sociedade Musical União Social apresentou o “Hino Cruzeiro do Sul Esporte Clube” braço desportivo da União Social que se encontra desativado.

– É possível perceber um amadurecimento e desenvolvimento das corporações musicais do município a cada festival?

O Festival é uma oportunidade para acompanhar a trajetória de vida das bandas ouropretanas: seus humores, períodos de crises e de bonança, seus anseios e conquistas. Mudanças de dirigente, de regente, renovação do repertório, melhorias na sede da banda, troca do instrumental e cursos de aperfeiçoamento conseguidos por meio de projetos culturais… os reflexos dessas e outras ações são percebidas a cada ano. Vejamos o exemplo da Associação Musical Nossa Senhora da Conceição da Lapa, do distrito de Antônio Pereira, reativada em 1999. Em 2003, apresentou-se pela primeira vez no Festival, ainda um pouco acanhada. No ano seguinte era outra banda, com músicos mais seguros e repertório encorpado. Espero que isso também aconteça com a Sociedade Musical São Gonçalo do Amarante, que se apresentou pela primeira vez este ano.

– Como avalia a participação das bandas convidadas?

A banda convidada deve ter as mesmas características das ouropretanas, ou seja, sociedades civis de caráter filantrópico, participantes das manifestações culturais de sua localidade, mantenedoras de escola de música e formação baseada em instrumentos de sopro e percussão. Sua presença traz a oportunidade de ouvir a produção musical de outra cidade, além de proporcionar troca de conhecimento e experiências com integrantes das bandas de Ouro Preto. O desenho do uniforme, a postura na apresentação do dobrado em desfile, a qualidade do repertório e do conjunto instrumental apresentado, o vigor do regente e a resposta dos músicos, tudo isso faz com que uma banda observe e avalie sua atuação frente ao exemplo trazido pela outra. Nestes oito anos, recebemos vários tipos de bandas: algumas adotam uma postura mais tradicional e têm o gênero dobrado como ponto forte; outras são cheias de swing, prontas para colocar os ouvintes para dançar; e bandas com repertório elaborado e arranjos eruditos. Não existem duas bandas iguais.

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