Em sua oitava edição, o evento realizado nos dias 15, 16 e 23 de agosto atraiu para a praça Tiradentes moradores e turistas, que se encantaram com a produção e a tradição musical de Ouro Preto e de outros municípios mineiros. Nesta entrevista, a musicóloga do Museu da Inconfidência, Mary Angela Biason, faz um balanço do Festival promovido pela instituição.

Mary Angela Biason

 – Houve alguma modificação no formato do Festival Ouropretano de Bandas ao longo de seus oito anos de existência?

Desde que o Festival iniciou, em 2002, o formato foi aprimorado até chegar ao atual, com desfile e apresentação de três bandas por dia. Isso valoriza as bandas que podem apresentar de cinco a sete músicas de seu repertório e explorar as qualidades do conjunto e as habilidades dos solistas. Dessa maneira, o Festival individualiza a banda e mostra seu valor, o que não acontece quando juntamos 10, 20, 30 bandas. Todo ano encerramos com uma banda ouropretana executando a valsa “Saudades de Ouro Preto”, eleita a música madrinha do Festival. O evento nos lembra de que as bandas são formadas por pessoas comuns, preocupadas com sua família e seu trabalho, mas que se encontram com amigos para juntos cultivar a arte da música e manter, com orgulho, a história e o esplendor da sua corporação.

– O alteamento da praça Tiradentes e a iluminação externa do Museu da Inconfidência favoreceram a estrutura do evento?

A regularização do calçamento ajudou muito na estabilidade das estantes e cadeiras para músicos e platéia. O fato de não haver mais carros alivia o conflito que vivíamos antigamente. A iluminação do Museu clareou a praça. Ainda assim, instalamos quatro holofotes na sacada de uma das casas do lado esquerdo do Inconfidência para as apresentações ocorridas durante a noite. Essa ação fez com que o conjunto banda-platéia se deslocasse para a lateral da praça. Nas apresentações ocorridas durante a tarde, a platéia pôde apreciar as bandas com o Museu ao fundo.

– Como o tema proposto para essa edição foi abordado pelas bandas?

Com o intuito de explorar seus acervos e valorizar o repertório produzido por seus integrantes, todo ano o Festival propõe um tema. Em princípio, ele valoriza o “dobrado”, gênero bandístico por excelência que é apresentado por todas as participantes em desfile pela Praça Tiradentes na abertura e no fechamento do evento. Nesta edição, além de seu repertório habitual, pedimos a execução de machas compostas para os carnavais, já que muitos músicos participam desses eventos. Duas bandas apresentaram composições próprias: a Bandas Euterpe Cachoeirense tocou “Marcha do Bloco de Cima”, de autoria de Cristiano Miguel Tavares, atual baterista da banda, e a Sociedade Musical União Social apresentou o “Hino Cruzeiro do Sul Esporte Clube” braço desportivo da União Social que se encontra desativado.

– É possível perceber um amadurecimento e desenvolvimento das corporações musicais do município a cada festival?

O Festival é uma oportunidade para acompanhar a trajetória de vida das bandas ouropretanas: seus humores, períodos de crises e de bonança, seus anseios e conquistas. Mudanças de dirigente, de regente, renovação do repertório, melhorias na sede da banda, troca do instrumental e cursos de aperfeiçoamento conseguidos por meio de projetos culturais… os reflexos dessas e outras ações são percebidas a cada ano. Vejamos o exemplo da Associação Musical Nossa Senhora da Conceição da Lapa, do distrito de Antônio Pereira, reativada em 1999. Em 2003, apresentou-se pela primeira vez no Festival, ainda um pouco acanhada. No ano seguinte era outra banda, com músicos mais seguros e repertório encorpado. Espero que isso também aconteça com a Sociedade Musical São Gonçalo do Amarante, que se apresentou pela primeira vez este ano.

– Como avalia a participação das bandas convidadas?

A banda convidada deve ter as mesmas características das ouropretanas, ou seja, sociedades civis de caráter filantrópico, participantes das manifestações culturais de sua localidade, mantenedoras de escola de música e formação baseada em instrumentos de sopro e percussão. Sua presença traz a oportunidade de ouvir a produção musical de outra cidade, além de proporcionar troca de conhecimento e experiências com integrantes das bandas de Ouro Preto. O desenho do uniforme, a postura na apresentação do dobrado em desfile, a qualidade do repertório e do conjunto instrumental apresentado, o vigor do regente e a resposta dos músicos, tudo isso faz com que uma banda observe e avalie sua atuação frente ao exemplo trazido pela outra. Nestes oito anos, recebemos vários tipos de bandas: algumas adotam uma postura mais tradicional e têm o gênero dobrado como ponto forte; outras são cheias de swing, prontas para colocar os ouvintes para dançar; e bandas com repertório elaborado e arranjos eruditos. Não existem duas bandas iguais.

A mostra Contraponto, em cartaz na sala Manoel da Costa Athaide, que se encerraria neste mês, agora pode ser conferida até o dia 13 de setembro. Na exposição, o artista Alex Gama, do Rio de Janeiro, apresenta a dualidade das formas de vida por meio de xilogravura e fotografias.

A visitação, gratuita, pode ser realizada de terça-feira a domingo, das 12h às 17h30, na rua Vereador Antônio Pereira, 33, Centro.

Sensibilizar os moradores da cidade quanto à preservação do meio ambiente, alertando sobre o uso consciente da água no município. Com esse objetivo, o Museu da Inconfidência, com apoio da Universidade Federal de Ouro Preto, da Prefeitura Municipal e do Instituto Estadual de Florestas, promoveu, entre os dias 17 e 20 de agosto, o Fórum das Águas de Ouro Preto, no auditório do Anexo I.

Foto: Tatiana Toledo

Foto: Tatiana Toledo

 A programação incluiu palestras com profissionais especializados nessa temática. Dentre os assuntos abordados, estavam: “Higienização de caixas d´água”; “Contaminação por elementos-traço em águas do município de Ouro Preto e regiões adjacentes: uma herança da mineração antiga de ouro”; e “O desafio de proteção e conservação de áreas permanentes”. O Fórum apresentou também o projeto “Feira de Ciências em escolas municipais de Ouro Preto – Atitudes para Garantir Água no Futuro”, realizado na rede municipal de ensino.

Foto: Eduardo Tropia

Foto: Eduardo Tropia

Comunidade ouro-pretana, autoridades, visitantes e funcionários do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, comemoraram na noite desta terça-feira, 11, os 65 anos da instituição. O evento foi marcado pela inauguração do sistema de iluminação externa, Cineclube, além de Loja e Café.

Para o diretor da casa, Rui Mourão, as novidades são um presente para a cidade. “A nova iluminação, somada ao alteamento do piso da Praça Tiradentes, representa um grande ganho para Ouro Preto. O local poderá ser explorado pelo comércio e ser utilizado também para apresentações culturais”, diz. Oitenta e nove lâmpadas foram utilizadas para valorizar ainda mais a arquitetura da antiga Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica, construída no século 18.

Já no interior da instituição, os visitantes ganharam novo espaço com a Loja e Café. “A cidade é repleta de ladeiras, e há muito para ser visto. A partir de agora, a instituição oferece um local adequado para o descanso desses turistas, que terão também a oportunidade de adquirir livros e souvenirs de bom gosto, personalizados com a marca do Museu”, afirma o diretor.

As novidades se entendem também ao Anexo I do Inconfidência, com o Cineclube. A população contará com sessões gratuitas de clássicos do cinema brasileiro e de grandes filmes estrangeiros, realizadas quinzenalmente. Haverá sempre a presença de um explicador e de um coordenador de debates, com o propósito de aprimorar o gosto do expectador. “Grandes nomes da produção cinematográfica brasileira também serão convidados a participar dessas sessões”, conta o diretor.

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) – autarquia vinculada ao Ministério da Cultura -, José do Nascimento Júnior, as novidades provam que o Museu é uma instituição completa, que já fez muito, porém é sempre capaz de mostrar algo mais. “Estamos entregando não só para Ouro Preto, mas também para Minas e o Brasil, um Museu modernizado, do qual nos orgulhamos. Espero que a comunidade veja no IBRAM um parceiro, a partir das novidades apresentadas pelo Inconfidência”, diz. “Rui Mourão, que já se imortalizou enquanto escritor na Academia Mineira de Letras, agora também se imortaliza pelo trabalho que realiza frente ao Museu”, conclui.

A grande festa também encantou moradores e turistas. É o caso do engenheiro naval Nelson D´Alencastro, morador do Rio de Janeiro, de passagem por Ouro Preto a trabalho. “Tive a sorte de passar por aqui justamente hoje, e fiquei encantado com tudo que vi. Poucas são as instituições em Minas, e até mesmo no Brasil, que realmente oferecem toda essa estrutura e serviços de qualidade a seus visitantes e à comunidade”, afirma.

O evento foi encerrado com a exibição de um vídeo institucional sobre os bastidores da instituição. Em um clima descontraído, funcionários relataram como é a rotina e a soma de esforços que fazem do Inconfidência um dos maiores centros culturais do Estado.

O Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, terá seu 65º aniversário marcado pela celebração de três importantes conquistas. A instituição museológica, segunda maior em visitação na área do governo federal, inaugura, na próxima terça-feira, 11, seu sistema de iluminação externa, um cineclube e novo espaço destinado à Loja e Café. A solenidade, que será realizada às 18 horas, contará com a presença de autoridades municipais, representantes da CAIXA, Petrobras, Associação de Amigos do Museu e do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), por meio de seu presidente, José do Nascimento Júnior, e comitiva.
Os projetos de iluminação e da Loja e Café completam a terceira e última etapa das obras de modernização do museu, iniciadas em 2005. Já o cineclube constitui mais uma iniciativa de caráter educativo e cultural destinada à comunidade ouro-pretana e região.

Loja e Café

cafe (1)

Artigos de qualidade e bom gosto, além de espaço para descanso e lanche, estão à disposição dos visitantes do Inconfidência no primeiro pavimento da instituição. Os produtos personalizados vão desde lanternas recarregáveis, bolsas e squeezes a material de papelaria e jogos educativos. Destaque ainda para postais, camisetas e moletons com marca ou imagens do acervo. “A ideia é que os artigos sejam cada vez mais relacionados ao Museu, incluindo a reprodução de peças, por exemplo”, explica o diretor da casa, Rui Mourão.
No local é possível encontrar também publicações sobre arte, fotografia, história, cultura mineira e brasileira em geral, bem como folhetos referentes à própria instituição, inclusive em braille. Já o cardápio oferece boas opções àqueles que encerram a visitação ou desejam realizar uma pausa entre as impressões obtidas entre uma sala e outra. “Estamos seguindo uma tendência mundial com a disponibilização desse espaço, que proporcionará uma melhora na qualidade da visita ao Museu”, afirma Mourão.

Iluminação

Toda a monumentalidade do prédio, construído na segunda metade do século XVIII para abrigar a Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica e, posteriormente, a penitenciária estadual, será destacada por projeto luminotécnico elaborado pelo Lighting Design Studio. A empresa também foi responsável pela execução de trabalho semelhante na Igrejinha da Pampulha, em Belo Horizonte.
A projeção conferida ao prédio com a iluminação, somada ao alteamento do piso da Praça Tiradentes em frente ao Museu, executado pela Prefeitura, proporcionará importante ambiente para aqueles que circulam pelo local à noite. A nova apresentação externa do Inconfidência tem patrocínio da Petrobras e apoio do PRONAC, por meio do Ministério da Cultura.

Cineclube

Auditório 1

No intuito de contribuir para o desenvolvimento cultural da cidade de Ouro Preto e dinamizar a utilização de seu auditório, a instituição passa a oferecer acesso gratuito a uma rica produção cinematográfica, aprimorando o gosto do expectador.
Segundo a chefe da Seção de Difusão do Acervo e Promoção Cultural, Margareth Monteiro, o Cineclube Museu da Inconfidência possui caráter educativo e tem como objetivo reunir e ampliar grupos interessados na discussão da cultura cinematográfica. As sessões contarão sempre com um explicador e coordenador de debates. A programação incluirá clássicos do cinema brasileiro, bem como grandes filmes estrangeiros. O patrocínio é da Caixa Econômica Federal.

Realizações

Para Rui Mourão, ao longo dos 65 anos de existência do Museu da Inconfidência, muitas foram as conquistas. “O crescimento foi extraordinário. O Museu começou organizado, porém com uma exposição mais decorativa, que contava a história de Minas Gerais. Com a modernização, ela passou a retratar realmente a Inconfidência Mineira”, afirma.
A contratação de técnicos especializados, a ampliação da estrutura física da instituição, com a aquisição de mais três anexos, e o consequente aumento da oferta de serviços à comunidade, também foram ressaltados pelo diretor. “Antes, o Inconfidência apenas recebia turistas e apresentava sua exposição. Hoje, além de ser um museu nacional, um dos principais do Brasil, ele foi transformado em um órgão voltado para a educação e pesquisa. Cerca de 150 mil pessoas visitam o Museu anualmente, que é um dos maiores centros culturais do Estado”, avalia.