Cartas do primeiro bispo de Mariana pertencentes ao acervo do Museu da Inconfidência são compiladas em livro

julho 31, 2009

Um verdadeiro registro do auge do Brasil Colônia, dentre atividades clericais e socioeconômicas, hábitos e costumes do século XVIII, está presente no Copiador de cartas particulares do senhor frei Manuel da Cruz, bispo do Maranhão e de Mariana (1739-1762). Recém-lançada pelas Edições do Senado Federal, a publicação apresenta ao público, pela primeira vez, a correspondência enviada por frei Manuel, composta por 382 peças escritas durante período economicamente importante de Minas Gerais, pertencente ao Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.

De acordo com o historiador Aldo Leoni, responsável pelas transcrições e revisões das cartas, o manuscrito se destaca em meio à valiosa documentação que o Museu possui. “Era uma prática comum que comerciantes, governantes, instituições ou qualquer pessoa que detivesse algum poder decisório guardassem uma memória das cartas que eram respondidas. Uma maneira de manter sempre à mão todos os assuntos tratados”, explica. Segundo Leoni, no caso específico de D. Frei Manuel da Cruz, é possível perceber, no decorrer dos 42 anos compreendidos pelo manuscrito, suas preocupações familiares e mais particulares vão perdendo lugar para a administração episcopal.

Informações pouco conhecidas sobre o governo de frei Manuel são relatadas na publicação, principalmente certa melancolia pela sua transferência de Maranhão para Mariana. “Pode-se pensar que a vinda para Mariana constituía uma promoção a um bispado mais rico, mas em termos estritamente religiosos, tratou-se de um rebaixamento no seu status hierárquico. São Luís, ao tempo, era filial da Catedral Patriarcal de Lisboa. Lá ele tratava diretamente com a máxima instância religiosa de Portugal”, avalia Leoni. Mais 37 documentos escritos por frei José da Santíssima Trindade, sexto bispo de Mariana, entre 1817 e 1822, foram acrescidos à compilação do historiador.

Vários foram os desafios na tentativa de transformar o material presente no acervo documental do Museu da Inconfidência em informação acessível à população. “A leitura, apesar de trechos extremamente comprometidos pela ação do tempo e dos insetos, não foi o mais trabalhoso. Essa dificuldade de leitura de textos centenários restringe o número de pessoas aptas a extrair todas as implicações que permeiam cada testemunho histórico. Arcaísmos fonéticos e palavras em desuso nos lembram a todo o momento que o documento foi produzido por uma pessoa que tinha valores e cultura diferentes dos nossos”. Para ajudar aos leitores com palavras que tiveram sentido alterado com a evolução da língua, tais termos foram reunidos e explicados. Pessoas e lugares citados no manuscrito também receberam pequena descrição. O resultado desse trabalho deverá aparecer em novo volume.

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