Cristo Flagelado. Foto: Aldo Araújo

Cristo Flagelado. Foto: Aldo Araújo

Mostrar que a deficiência física não é condição limitadora para o fazer artístico, a partir de uma análise do trabalho e da vida de Aleijadinho. Este é o objetivo do livro que está sendo produzido pelo Instituto Muito Especial, organização localizada no Rio de Janeiro voltada à inclusão social da pessoa com deficiência.

 

A edição, que tem previsão de lançamento para o final de março, apresentará diversas obras existentes no Museu da Inconfidência de autoria ou atribuídas à Aleijadinho. A instituição reúne, em sala que leva o nome desse que é considerado o principal escultor do período colonial, obras que exemplificam e traçam os principais caminhos percorridos pelo artista em seu trabalho nos séculos 18 e 19.

 

Dentre as peças que compõem o acervo do Museu, estão São Jorge em madeira, com lança escudo e sela; retábulo; riscos das Igrejas de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo, ambas de São João Del Rei (atribuição); réplica, em gesso, de um dos profetas de Congonhas (estátua de Daniel); conjunto de roca com os Reis Magos; conjunto em madeira com pastores de presépio; anjo tocheiro em madeira; escultura de Cristo Flagelado; entre outras.

 

“A idéia é exaltar um trabalho artístico mundialmente reconhecido e de qualidade, como o de Aleijadinho, que foi conduzido apesar da deficiência. O livro será mais uma ação para difundir o conceito e a necessidade da inclusão da pessoa com deficiência, mostrando que ela também é capaz de grandes realizações”, explica a jornalista Mayara Maciel, coordenadora do projeto.

 

Idealizada pelo presidente do Instituto Muito Especial, Marcus Scarpa, a edição de luxo terá 200 páginas e apresentará também obras de Aleijadinho presentes nas cidades de Congonhas e Mariana. O livro será distribuído gratuitamente para bibliotecas públicas e instituições ligadas a causa da pessoa com deficiência.

 

Instituto Muito Especial

 

O Instituto Muito Especial é uma Organização Social Civil de Interesse Público (OSCIP), que há nove anos trabalha em prol da inclusão da pessoa com deficiência. Além de projetos editoriais, o Instituto já produziu programas de TV e rádio, campanhas publicitárias e documentários, além da realização de congressos. Também atua nas áreas de acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. As ações não têm fins lucrativos.

 

Aleijadinho

 

Antônio Francisco Lisboa nasceu em Vila Rica, no século XVIII. Filho do arquiteto português Manoel Francisco Lisboa e de uma escrava, era autodidata. Tocado pela genialidade, sobressaiu-se nas artes da escultura, talha e arquitetura. Por volta dos 40 anos passou a sofrer de doença degenerativa. A perda progressiva dos movimentos das pernas e das mãos o levou a trabalhar com os instrumentos atados ao corpo. Nesta fase, o artista consolidou um estilo pessoal, marcado por profunda originalidade e de caráter universal, ao mesmo tempo inserido na cultura regional.